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de 2007

CIRO DAMKE 

Quatro anos é muito tempo!

 

No próximo mês de outubro teremos, mais uma vez, eleições para prefeito e vereadores, por isso queremos fazer algumas considerações sobre o assunto e, de modo especial sobre as chamadas / propagandas da Justiça Eleitoral que têm como slogan: quatro anos é muito tempo!

Na verdade, quatro anos da vida passam rápido demais, porém, quando se olha para os problemas pelos quais a sociedade, o Brasil passa, os quatro anos, de fato, são um longo tempo e quando os políticos (nem todos) são maus, corruptos, estes quatro anos parecem não passar, mesmo. As chamadas da Justiça Eleitoral, em si sem graça, cansativas e até enjoativas, numa primeira visão, procuram chamar a atenção do eleitor para a responsabilidade de escolher bons políticos. As propagandas da Justiça Eleitoral que analisaremos a seguir mostram justamente que ter um mau político durante quatro anos é um longo tempo, um tempo perdido.

Mário tem uma abelha no ouvido: imagine uma abelha nervosa no ouvido durante quatro anos incomodando noite e dia; assim é o mau político. A propaganda é até enjoativa, no começo dá para até questionar: será que a Justiça Eleitoral não tinha chamadas mais atrativas, mais chamativas? Parece que o objetivo é justamente motivar desta forma, como se diz popularmente: matar (convencer) pelo cansaço, pois se ter um político ruim é como ter uma abelha nervosa incomodando durante quatro anos, não se deve, mesmo, votar em mau político.

Lúcio tem a mania de sapatear pra lá, pra cá, sem direção nenhuma durante quatro anos. Assim são os políticos incompetentes, não tomam posição a favor do cidadão nos momentos importantes da vida política do município, do estado ou do país (ficam sapateando até na hora do casamento!).

Mariana, a mulher que anda em círculos: é como o mau político, durante quatro anos fica perdendo seu tempo com politicagem, como andar em círculos sem chegar a lugar algum, sem fazer nada pela população.

João Paulo, o homem que chora no celular: (essa propaganda é o fim da picada, como se diz na gíria): é o político sem postura, sem ideologia, sem partido definido, que se comove, que chora, mas que não faz nada de produtivo e objetivo pelo cidadão e pelo país.

O homem / motorista que pára na frente dos trilhos de trem: é como o político que não vê, não acorda (muitos não querem ver) para os grandes problemas (como dois trens enormes) pelos quais as pessoas passam: falta de emprego, de segurança, de saúde, de educação, falta muito (e o Lula fala que está tudo bem, que o petróleo do tal do pré-sal vai resolver tudo!).

O cientista / observador que perde seu tempo e não vê o cometa passar é como o político que enrola, enrola e não faz nada. Por fim, ainda tem as propagandas da artista grávida que chama a atenção para a importância do voto e de votar certo para a realidade atual e também para o futuro, para os que ainda vão nascer. Daí o slogan: o futuro do seu município é o seu futuro.

Na verdade, quem ganha quando se elege bons políticos somos nós, mas quando votamos em maus políticos também quem perde somos nós, os eleitores. Ninguém, nenhum candidato se torna prefeito ou vereador sem o nosso voto, portanto, bons ou maus políticos, quem decide somos nós!

 

*Professor do Curso de Letras da UNIOESTE
Campos de Marechal Cândido Rondon.

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