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de 2007
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Se eu
(você) morresse amanhã?
Com a passagem do Dia dos Finados, no
dia 2 de novembro, achamos oportuno fazer algumas considerações
sobre a morte, a inexorável certeza de um dia termos que morrer.
Muitas pessoas vão achar chocante, talvez até traumatizante falar da
morte. Prá que estragar a vida falando da morte! Eu quero viver, sem
pensar em morrer. São observações que se ouve no dia-a-dia, mesmo
assim, por diversos motivos achamos válido abordar o tema.
O objetivo primordial de cada ser humano é ter uma vida longa,
digna, com saúde e bem-estar, mesmo assim, é preciso lembrar que
somos mortais e que estamos neste mundo por tempo limitado,
provisoriamente. Conhecemos o velho provérbio que fala do destino
dos seres vivos: nascer, viver e morrer, ou a frase: para morrer
basta estar vivo. Um filósofo, de forma chocante, mas verdadeira,
disse que o ser humano, ao nascer, já traz em si a semente da morte.
Até a Bíblia, seguidas vezes, aborda o assunto comparando a morte
com um ladrão que a cada momento pode assaltar nossa casa. Estejai
vigilantes e atentos, está escrito.
É costume entre os católicos no final das cerimônias de enterro, no
cemitério, concluir: E agora rezemos um Pai Nosso e Ave Maria pelo
primeiro de nós aqui que irá morrer. Geralmente se reza com a
pergunta silenciosa: Quem será?, e a resposta: ah, vai ser aquele
velhinho com mais de setenta anos!, ou será aquela vovozinha, tá
doente mesmo! Dificilmente nós nos incluimos entre os morituri (os
que irão/poderão morrer). A afirmação coincide com a opinião de um
entrevistado de Londrina durante a Semana de Trânsito deste ano.
Quando se defrontou com a personagem da morte em forma de esqueleto
com a gadanha, foice na mão para colher/ceifar os candidatos
exclamou: Xô, xô, morte, eu ainda sou muito novo para ir contigo!
Quase sempre nos consideramos ainda muito novos para morrer. Que o
nosso amanhã, fique para depois de amanhã, para o ano que vem, para
depois, depois... É natural, repetimos, querer fugir da morte.
Em algumas igrejas no sul da Alemanha há relógios tendo de um lado a
figura da morte e do outro o Anjo da Guarda. O segundo tenta
segurar/parar as horas para não chegar a hora de a morte levar
consigo a pessoa. No momento em que o anjo cochila, a morte arranca
o escolhido e o leva consigo para o descanso eterno. Aliás, a idéia
do gozo da felicidade, do fim de uma vida cheia de atribulações, de
um descanso eterno depois de uma longa viagem, tudo isto como
sinônimo de morte, já é bastante antiga. Os antigos romanos
escreviam nas lápides (pedras) tumulares a inscrição: D. M. S. (Diis
Manibus Sacrum: consagrado aos deuses), seguida de Hic iacet...
(aqui jaz/descansa...). No cristianismo foi adotada a abreviatura R.
I. P. (Requiescat in pace: descanse em paz) em alemão é R. I. F. (Ruhe
in Frieden: descanse em paz), em inglês R. I. P. (Rest in peace:
descanse em paz). Em português é usada a expressão que tem o mesmo
significado das anteriores: Descanse em paz.
O título procura chamar a atenção para a realidade cruel e a certeza
inexorável da morte. Se cada pessoa tivesse mais presente a idéia da
certeza da morte, se é amanhã ou muito depois, não interessa, com
certeza, a vida seria diferente. Bens materiais: carro, casa,
dinheiro, tudo isto é válido na medida em que garantem uma boa
qualidade de vida. O velho provérbio: Quando se morre não se leva
nada, mesmo, deveria estar mais presente na nossa vida. Para
concluir (não dá para abordar o assunto com profundidade)
respondendo à questão se tivesse que morrer amanhã ou em breve
dizemos que a melhor preparação para a morte é levar uma vida digna
baseada no trabalho/profissão com prazer, tentando fazer o bem
(apesar dos erros) e relacionando-se bem com as pessoas com quem
vivemos, o que significa amar e perdoar, ser amado e ser perdoado, e
que um dia (de preferência não já amanhã) descansemos em paz.
*Professor
do Curso de Letras da UNIOESTE
Campos
de Marechal Cândido Rondon.
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