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de 2008

MÁRCIO BECKER


A SÍNDROME DO “EU ACHO...”

 

Você Ao ler um texto de Armando Bueno de Almeida, me deparei com a possibilidade de contribuir com algumas palavras sobre a síndrome do “eu acho” ou da intuição.

Não em raras situações, os empresários ou empreendedores substituem o conhecimento técnico e científico pelo puro empirismo, ou simplesmente pela velha expressão “eu acho que é assim...”.

Guardadas as devidas proporções, o “eu acho” pode ser caracterizado com feeling, que significa a capacidade real de prever determinadas situações conforme o conhecimento ou experiência prévia que se tem em determinado assunto.

Prova disso é que analisando algumas profissões encontramos pessoas que simplesmente não se enquadram a elas, que não conseguem de adaptar ou não tem feeling, porém a banalização desta situação faz com que as estatísticas de falências empresariais aumentem a cada ano.

Quando escritores como Dolabella e Fillion escrevem sobre empreendedorismo, e afirmam que o verdadeiro empreendedor é aquele que tem aptidões naturais para o negócio, não querem ales dar margem a interpretações equivocadas de pessoas que julgam dominar determinadas áreas apenas com o poder da intuição e que assim não necessitam de conhecimentos ou experiências científicas para atuarem.

De acordo com o dicionário, intuição também é o ato de discernimento instantâneo, o que reforça a tese de que agir por intuição só é indicado quando já se tem algum conhecimento do assunto.

O que seriam dos pacientes se os médicos resolvessem prescrever medicamentos ou procedimentos cirúrgicos apenas por intuição, sem sequer se preocuparem com exames ou análises mais detalhadas. O que seriam dos réus se os juízes deixassem de lado a interpretação da lei e das provas e tomassem suas decisões de condenar ou absolver o acusado apenas com base no “eu acho”.

Por mais técnico que possa parecer, o uso de procedimentos científicos é extremamente simples e pode significar o sucesso ou a ruína de muitas empresas e organizações. O simples fato de analisar uma situação antes de tomar a decisão pode fazer a diferença.

Em épocas de fim de ano, quando o 13º salário faz as vendas aquecerem, as empresas que souberem aproveitar corretamente suas ferramentas, sem se apegar ao “eu acho”, tendem certamente a alcançarem melhores resultados.

Lembre-se: quanto melhor conhecermos o caminho, com mais facilidade poderemos nos guiar por ele. “Eu Acho” só em último caso.



Márcio Becker
Delegado Regional do CRA - Regional de Medianeira.
Graduado em Administração - Unioeste/Foz
Especialista em Gestão Empresarial - Univel
Mestre em Administração FURB/SC
Professor e Coordenador dos Cursos de Administração da Facemed - Medianeira - PR
E-mail: marcio@facemed.edu.br

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