O primeiro casal que
residiu na vila
Lauro gerenciou a filial do Empório Toledo em Quatro Pontes e,
em sociedade, fundou uma olaria
Lauro (em memória) e Hilda Eckstein, casal de pioneiros do
município de Quatro Pontes, residia no município de Carazinho,
Rio Grande do Sul, mais especificamente na Linha Glória,
distrito de Não-Me-Toque. Os dois vieram com seus pais a Toledo,
localidade na qual residiram por um ano. Eles compraram terras
em Dez de Maio, sendo que hoje essas terras pertencem a Esquina
Ipiranga. Lauro e Hilda saíram do Rio Grande do Sul no dia 06 de
agosto de 1950, com destino a Toledo. No dia 19 de agosto de
1951, Lauro chegou a Quatro Pontes para cuidar do Empório, mas
sua mudança só chegou no dia 23.
A pedido do colonizador Willy Barth, Lauro se mudou para Quatro Pontes e
passou a administrar o Empório Toledo, que estava fechado há
algum tempo. Diferentemente do que se pensa, o Empório não
pertencia para a Maripá, e sim a uma sociedade liderada pela
família Casarin e outras. A família Casarin era muito grande e a
sociedade não dava os resultados esperados, fazendo com que
Casarin vendesse sua parte para Egon e João Anschau.
Após a entrada de Egon na sociedade a empresa passou a dar lucro e o
Empório já contava com 13 filiais, instaladas em Porto Britânia,
Quatro Pontes, General Rondon, Dez de Maio, Vila Nova, entre
outros locais. No ano de 1952 as filiais eram ligadas por uma
linha telefônica para a comunicação entre si e com Toledo, e em
1952 já havia telefone em Quatro Pontes. O Empório que Lauro
cuidava tinha tudo o que precisava, como: vestuário, comida,
sementes e ferramentas. Até os primeiros porcos com destino a
Ponta Grossa foi Lauro quem recolheu, além de ter comprado
cereais de quem quisesse vender.
A carne era trazida de Porto Britânia, depois para Toledo e então vinha
para Quatro Pontes, do contrário só tinha charque ou lingüiça.
De acordo com Lauro, no Empório sempre tinha fardos e mais
fardos de charque de ovelha para vender, proveniente da
fronteira do Rio Grande do Sul. O Empório vendia muito bem, pois
tinha muitos lenheiros que exploravam madeira (cedro) para a
Maripá, que exportava para a Argentina, além dos agrimensores.
Os dias mais movimentados eram sábados e domingos. A luz
elétrica chegou em 1952, quando a Maripá instalou um gerador
movido por motor a diesel. Lauro era responsável pela manutenção
do gerador e a comunidade de Quatro Pontes tinha luz até as
22h30. O primeiro gerador da localidade foi instalado onde foi a
casa de Werno Lamb.
O segundo gerador foi doado por Willy Barth para a Beneficiadora, para
que o povo pudesse trabalhar. A beneficiadora era uma sociedade
entre Guebardo Schaineberger, Kum, Lotário Anschau, Odilo
Berwanger, Zacarias Franzener e Lauro Eckstein, sendo que este
último foi o gerente. Mais tarde foi construída uma usina em
Novo Sarandi, instalada na queda do Rio Guaçu. Lauro entrou com
uma quantia de três mil contos de réis – mesmo valor de uma
chácara – e perdeu tudo. A usina foi construída pela prefeitura
de Toledo no mandato do primeiro prefeito, senhor Ernesto
Dall’Óglio. A primeira moradia do casal Eckstein foi numa
casinha da Maripá, na baixada do Bogorni, do lado esquerdo da
estrada. No lado direito havia um barracão que era o hotel onde
residia Seno Kewadt. A loja também era na baixada, num barracão
comprido. A segunda moradia, já na Vila, era no armazém onde
hoje é a Farmácia (do Walmir) Paraná.
História - Para chegar a Quatro Pontes, Hilda e Lauro
vieram pelo Quilômetro 10, pois a estrada velha que era dos
Ingleses estava interditada porque havia caído uma ponte no
cavalo morto e a estrada por Esquina Ipiranga já estava
desmatada, mas não dava passagem para um caminhão. Na baixada
dos Bogorni ficava um barracão que era o Hotel, o Armazém, a
Serraria de Seno Lang (em construção) e o mato estava sendo
derrubado, tanto é que em novembro de 1952 Lauro e Hilda foram
os primeiros moradores da vila.
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