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de 2008

REPORTAGEM


Viagem tumultuada de 13 dias

Chegada foi interrompida durante seis dias. Chuva forte, muito frio e neve

  Os pioneiros Emílio (já falecido) e Azeveda Tereza Vogt vieram de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Eles se casaram no dia 14 de maio de 1952 e no dia 11 de junho saíram de mudança rumo a Quatro Pontes, chegando na vila 13 dias depois: dia 23. No mesmo caminhão veio a família de Leopoldo Barbian e o irmão de Emílio, Maurício Vogt, que era solteiro. A viagem foi tumultuada e quando chegaram em Nonoai, perto de Chopinzinho, tiveram que esperar por seis dias até a chuva passar, mas não foi só isso: fez muito frio e nevou durante a viagem. O casal ficou sem alimentos para tratar os porcos e as galinhas, que passaram fome pela falta de milho na cidade.
  A vinda a Quatro Pontes foi motivada pelas terras adquiridas pelo pai de Emílio, senhor Augusto, no ano de 1951. As 12 colônias de terras foram distribuídas entre os membros da família. A primeira moradia dos recém chegados foi num barracão da Maripá localizado em frente ao Hotel. Para o sustento, os pioneiros trouxeram muitos mantimentos. A farinha era comprada no moinho em Dez de Maio; as primeiras mudas de rama de mandioca e cana-de-açúcar eram trazidas de carroça. O restante dos alimentos eram adquiridos na Loja do Vogt, onde encontrava sementes, instrumentos agrícolas, roupas, entre outros. A loja foi vendida porque os paraguaios levaram-na à falência por falta de pagamento das dívidas.
  Quando agricultor, seu Emílio levava uma panela grande na roça, sendo que lá mesmo ele e as outras pessoas colocavam estacas e nela prendiam a panela para fazer o almoço, que misturava feijão, arroz, batatinha e muitas vezes matavam tucanos para ter carne para comer. Na lavoura cultivavam milho e mandioca, mas nos dois primeiros anos não deu praticamente nada, nem milho para fazer farinha, porque era muito seco. Colheram muitas batatas, mas estas estragaram e apodreceram, pois ninguém comprava. O arroz também deu muito bem e colheram bastante; feijão colhiam de 70 a 80 sacas por safra e não tinha para quem vender. Conservaram tudo dentro da casa, embaixo do assoalho e onde fosse possível.
  Emílio plantou muito fumo, porque já tinha experiência em Santa Cruz do Sul. Na terceira colheita teve azar porque um incêndio consumiu tudo, inclusive o galpão, e o seguro cobriu as perdas. A primeira casa foi construída na colônia onde Emílio e Azeveda residiram por 42 anos. O material para a construção foi comprado na Maripá e eles tiveram três anos para pagar, sendo que a madeira era pinho. Para fazer a casa derrubaram todo o mato e os primeiros móveis foram feitos com madeira, sendo mesa e banco (que mais tarde foi levado para a Igreja).
  Nos primeiros anos, quando não tinha Igreja, a missa era rezada todos os domingos de manhã e a coordenação ficava a cargo de Ricardo Stenzel. O casal teve dez filhos que nasceram em Quatro Pontes. A primeira parteira a ajudar dona Azeveda foi uma senhora de Novo Sarandi, já o segundo parto foi feito pela vovó Stenzel, e os demais por Ilka Kuns. O décimo filho nasceu num parto feito pelo doutor Luis Fernando Chioratto, no Hospital de Quatro Pontes. Os filhos se chamam: Delmo, Erica, Ana Lucia, Renato, Terezinha, José, Claudio, Luís, Nilvo e Jorge. Os dois primeiros registros aconteceram em Toledo e os demais em Marechal Cândido Rondon.



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