Viagem tumultuada
de 13 dias
Chegada foi
interrompida durante seis dias. Chuva forte, muito frio e neve
Os
pioneiros Emílio (já falecido) e Azeveda Tereza Vogt vieram de
Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Eles se casaram no dia
14 de maio de 1952 e no dia 11 de junho saíram de mudança rumo
a Quatro Pontes, chegando na vila 13 dias depois: dia 23. No
mesmo caminhão veio a família de Leopoldo Barbian e o irmão de
Emílio, Maurício Vogt, que era solteiro. A viagem foi
tumultuada e quando chegaram em Nonoai, perto de Chopinzinho,
tiveram que esperar por seis dias até a chuva passar, mas não
foi só isso: fez muito frio e nevou durante a viagem. O casal
ficou sem alimentos para tratar os porcos e as galinhas, que
passaram fome pela falta de milho na cidade.
A vinda a Quatro Pontes foi motivada pelas terras adquiridas pelo pai de
Emílio, senhor Augusto, no ano de 1951. As 12 colônias de
terras foram distribuídas entre os membros da família. A
primeira moradia dos recém chegados foi num barracão da Maripá
localizado em frente ao Hotel. Para o sustento, os pioneiros
trouxeram muitos mantimentos. A farinha era comprada no moinho
em Dez de Maio; as primeiras mudas de rama de mandioca e
cana-de-açúcar eram trazidas de carroça. O restante dos
alimentos eram adquiridos na Loja do Vogt, onde encontrava
sementes, instrumentos agrícolas, roupas, entre outros. A loja
foi vendida porque os paraguaios levaram-na à falência por
falta de pagamento das dívidas.
Quando agricultor, seu Emílio levava uma panela grande na roça, sendo que
lá mesmo ele e as outras pessoas colocavam estacas e nela
prendiam a panela para fazer o almoço, que misturava feijão,
arroz, batatinha e muitas vezes matavam tucanos para ter carne
para comer. Na lavoura cultivavam milho e mandioca, mas nos
dois primeiros anos não deu praticamente nada, nem milho para
fazer farinha, porque era muito seco. Colheram muitas batatas,
mas estas estragaram e apodreceram, pois ninguém comprava. O
arroz também deu muito bem e colheram bastante; feijão colhiam
de 70 a 80 sacas por safra e não tinha para quem vender.
Conservaram tudo dentro da casa, embaixo do assoalho e onde
fosse possível.
Emílio plantou muito fumo, porque já tinha experiência em Santa Cruz do
Sul. Na terceira colheita teve azar porque um incêndio
consumiu tudo, inclusive o galpão, e o seguro cobriu as
perdas. A primeira casa foi construída na colônia onde Emílio
e Azeveda residiram por 42 anos. O material para a construção
foi comprado na Maripá e eles tiveram três anos para pagar,
sendo que a madeira era pinho. Para fazer a casa derrubaram
todo o mato e os primeiros móveis foram feitos com madeira,
sendo mesa e banco (que mais tarde foi levado para a Igreja).
Nos primeiros anos, quando não tinha Igreja, a missa era rezada todos os
domingos de manhã e a coordenação ficava a cargo de Ricardo
Stenzel. O casal teve dez filhos que nasceram em Quatro
Pontes. A primeira parteira a ajudar dona Azeveda foi uma
senhora de Novo Sarandi, já o segundo parto foi feito pela
vovó Stenzel, e os demais por Ilka Kuns. O décimo filho nasceu
num parto feito pelo doutor Luis Fernando Chioratto, no
Hospital de Quatro Pontes. Os filhos se chamam: Delmo, Erica,
Ana Lucia, Renato, Terezinha, José, Claudio, Luís, Nilvo e
Jorge. Os dois primeiros registros aconteceram em Toledo e os
demais em Marechal Cândido Rondon.
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